Nos últimos dias, uma pesquisa divulgada pela AtlasIntel trouxe à tona dados que mostram como a opinião pública brasileira reagiu à recente ação militar liderada pelos Estados Unidos na Venezuela. Segundo esse levantamento, 58% dos brasileiros entrevistados manifestaram aprovação à operação que culminou na captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, enquanto 41% declararam desaprovar a intervenção estrangeira. Outros 1% disseram não saber como responder ao questionamento. Esses números revelam um cenário de opiniões divididas no Brasil, refletindo complexidades políticas e sociais que vão além de simples consensos nacionais sobre política externa.
A pesquisa da AtlasIntel ouviu mais de 11 mil pessoas em toda a América Latina e entre latinos residentes nos Estados Unidos e no Canadá, o que dá um retrato amplo de como diferentes populações percebem a ação militar. No Brasil, o resultado mostra uma maioria que vê a operação como algo positivo, possivelmente influenciada por preocupações com temas como segurança regional, narcotráfico e instabilidade política na Venezuela. Entretanto, o fato de que quase metade dos brasileiros desaprovam a ação indica uma polarização significativa entre diferentes grupos sociais e políticos no país, que reflete debates mais amplos sobre soberania, geopolítica e intervenção externa.
A reação popular no Brasil difere em alguns aspectos de outras regiões. Enquanto mais da metade dos latino-americanos em geral aprovam a intervenção, a Venezuela apresenta nuances próprias: 57,7% dos venezuelanos também manifestaram apoio, mas essa porcentagem varia bastante quando se considera aqueles que vivem dentro versus fora do país. Entre os que vivem no exterior, a aprovação chega a quase 91%, enquanto dentro da Venezuela menos da metade apoia a ação americana. Esses dados mostram como experiências diretas com a crise política e social venezuelana influenciam percepções variadas sobre intervenções externas.
Esse panorama aponta para um contexto regional fortemente polarizado. A operação militar em si aconteceu no início de janeiro de 2026 e teve como resultado a captura de Nicolás Maduro, acusado pelos Estados Unidos de envolvimento com narcotráfico e outras atividades ilegais. A ação, que contou com bombardeios e a participação de unidades de elite americanas, provocou reações diversas em governos e sociedades. Enquanto alguns líderes internacionais criticaram o que classificaram como violação da soberania venezuelana, outros setores da opinião pública em países como o Brasil expressaram algum grau de apoio à medida, independentemente da posição oficial de seus governos.
No Brasil, o descompasso entre a opinião pública e a postura oficial do governo sobre a operação gerou debates acalorados. A posição governamental foi crítica à ação militar americana, considerando-a uma afronta à soberania e à autodeterminação dos povos. Por outro lado, muitos brasileiros destacaram a necessidade de enfraquecer regimes considerados repressivos ou associados ao crime organizado, o que explica parte do apoio popular registrado na pesquisa. Esse tipo de discordância entre a população e a política externa oficial ilustra como questões internacionais podem ter implicações internas profundas, especialmente quando temas sensíveis como intervenção militar são trazidos ao centro do debate público.
Especialistas em relações internacionais também observam que esse momento pode marcar uma inflexão nas percepções brasileiras sobre o papel do país no cenário global. A aprovação expressa por parte da população pode indicar uma mudança nas expectativas sobre o Brasil e sua posição em relação aos Estados Unidos, à América Latina e às crises internacionais. Ao mesmo tempo, a desaprovação significativa mostra que não há consenso claro, e que muitos brasileiros continuam céticos quanto aos efeitos de intervenções militares e ao envolvimento de potências estrangeiras em questões regionais.
Esse debate também se insere em um contexto mais amplo de tensões geopolíticas. A operação dos Estados Unidos na Venezuela gerou reações em várias capitais do mundo, com países aliados e rivais expressando suas opiniões sobre a legitimidade e as consequências dessa ação. Em contextos como esses, a opinião pública pode desempenhar um papel importante na formação de políticas externas e na pressão sobre governos para adotar determinadas posturas em relação a parceiros internacionais e crises globais.
Para além dos números, é essencial compreender que pesquisas como essa não apenas informam sobre o que grande parte da população pensa, mas também sobre como percepções podem moldar discursos políticos, influenciar relações diplomáticas e impactar decisões estratégicas no futuro. No caso brasileiro, esse resultado indica que uma parte significativa da sociedade tem uma visão mais favorável a ações externas consideradas como combate a ameaças percebidas, enquanto outra parte permanece cautelosa ou contrária a esse tipo de intervenção.
Em resumo, os dados mostram que a opinião pública brasileira está fortemente dividida em relação à operação militar dos Estados Unidos na Venezuela. Essa divisão não é apenas um reflexo de preferências políticas, mas também uma expressão de diferentes visões sobre soberania, segurança regional e o papel do Brasil no cenário internacional. À medida que o desdobramento dessa situação continua a evoluir, será importante observar como essa divisão de opiniões pode influenciar debates futuros e a formulação de políticas externas no Brasil e em toda a América Latina.
Autor: Alejandra Guyton

