A preparação esportiva passou por uma mudança estrutural nos últimos anos, expõe Luciano Colicchio Fernandes, pois, o que antes dependia quase exclusivamente da observação direta de treinadores agora incorpora sensores, múltiplas câmeras e algoritmos capazes de transformar movimentos em dados analisáveis. Leia esse texto até o final para saber mais sobre o tema!
Tênis: rastreamento de bola e movimento em tempo real
No tênis, sistemas de múltiplas câmeras e algoritmos de rastreamento são capazes de identificar a trajetória da bola, a velocidade do golpe, o ponto de contato e o deslocamento do atleta em quadra. Plataformas como as chamadas smart courts geram estatísticas detalhadas de cada sessão de treino, permitindo análises que vão além do simples acerto ou erro de uma jogada.

Esses dados ajudam a identificar padrões técnicos, variações de desempenho ao longo do treino e até tendências de fadiga. Luciano Colicchio Fernandes alude que esse tipo de monitoramento permite intervenções mais rápidas e precisas, reduzindo o tempo entre a identificação de um problema técnico e sua correção prática.
Basquete: leitura de posicionamento e padrões táticos
No basquete, a visão computacional vem sendo utilizada para mapear o posicionamento dos jogadores em quadra, a velocidade de deslocamento, os espaços criados em jogadas ofensivas e os padrões defensivos ao longo da partida. A partir de múltiplos ângulos de câmera, algoritmos conseguem reconstruir a dinâmica coletiva do jogo sem a necessidade de sensores individuais em todos os atletas.
Conforme menciona Luciano Colicchio Fernandes, esse tipo de análise muda a forma como os treinadores avaliam desempenho coletivo, pois permite identificar não apenas quem executou a jogada, mas como o sistema tático se comportou em diferentes cenários. Essas ferramentas também ajudam na análise de arremessos, fornecendo dados sobre ângulo, tempo de execução e consistência mecânica, o que contribui para ajustes técnicos mais objetivos durante a temporada.
Dados como base para personalização de treinos
Um dos principais impactos da integração entre sensores e visão computacional é a personalização do treinamento. Em vez de aplicar cargas padronizadas para todo o grupo, as comissões técnicas passam a ajustar volume, intensidade e tipo de exercício conforme a resposta individual de cada atleta.
Informações como aceleração, desaceleração, tempo de recuperação e padrões de movimento permitem criar perfis fisiológicos e biomecânicos mais detalhados, e tal como apresenta Luciano Colicchio Fernandes, esse nível de personalização contribui não apenas para ganho de performance, mas também para redução de lesões por sobrecarga.
Essa lógica também se aplica a esportes de raquete e quadra, onde pequenas variações técnicas podem gerar impactos acumulativos em articulações e músculos, tornando o monitoramento contínuo um aliado da longevidade esportiva.
Integração entre tecnologia e cultura esportiva
Outro aspecto relevante é a adaptação cultural ao uso intensivo de tecnologia, informa Luciano Colicchio Fernandes. Em alguns ambientes, ainda há resistência por parte de atletas e treinadores que preferem métodos tradicionais de avaliação. Em outros, a tecnologia é rapidamente incorporada, mas nem sempre de forma crítica.
O equilíbrio está em tratar os sistemas digitais como ferramentas de apoio à decisão, e não como substitutos da experiência humana acumulada no esporte. Quando bem integradas, essas soluções ampliam a capacidade de leitura do jogo e da preparação física, sem eliminar a sensibilidade necessária ao trabalho técnico.
Segundo Luciano Colicchio Fernandes, esse processo de integração tende a ser gradual e depende tanto de investimento em infraestrutura quanto de formação de profissionais aptos a operar e interpretar os sistemas disponíveis.
Um conceito virando realidade
Portanto, sensores e visão computacional já fazem parte do cotidiano de modalidades como tênis e basquete, redefinindo o conceito de treinamento esportivo e aproximando a prática da pesquisa científica. O futuro do treinamento esportivo passa menos por substituir métodos tradicionais e mais por integrá-los a um ecossistema digital que amplia a capacidade de observação, diagnóstico e ajuste. Luciano Colicchio Fernandes frisa que o desafio, a partir de agora, é garantir que a tecnologia seja utilizada de forma estratégica, ética e alinhada às reais necessidades dos atletas.
Autor: Alejandra Guyton

