Na visão de Guilherme Campos, empresário do setor imobiliário e agro com atuação consolidada no Norte do Brasil, a energia elétrica confiável e acessível é uma das condições mais básicas e mais determinantes para o desenvolvimento produtivo de municípios remotos da região. Em um estado como Roraima, onde parte significativa dos municípios ainda depende de sistemas isolados de geração a diesel, com custos elevados e fornecimento instável, a chegada da energia elétrica integrada ao sistema nacional representa muito mais do que uma melhoria no conforto doméstico. Ela é a infraestrutura que viabiliza investimentos, atividades produtivas e serviços que simplesmente não conseguem funcionar sem fornecimento elétrico confiável.
Esse tema raramente recebe a atenção que merece nos debates sobre desenvolvimento regional, mas seus efeitos sobre a economia local são profundos e duradouros. Compreender o que a expansão da infraestrutura elétrica representa para os municípios remotos do Norte é essencial para empreendedores, investidores e gestores públicos que tomam decisões com impacto de longo prazo sobre o desenvolvimento dessas regiões.
Nas próximas linhas, você vai entender como a infraestrutura elétrica transforma o potencial produtivo de municípios remotos e o que isso representa para quem investe na região.
O custo da energia como barreira ao desenvolvimento produtivo
Municípios do Norte do Brasil que dependem de sistemas isolados de geração a diesel enfrentam um custo de energia elétrica que pode ser três a quatro vezes superior ao praticado em regiões integradas ao Sistema Interligado Nacional. Esse diferencial de custo tem consequências diretas sobre a viabilidade econômica de atividades produtivas que dependem de energia elétrica em seu processo, como a agroindústria, o processamento de alimentos, a refrigeração de produtos perecíveis e a operação de equipamentos agrícolas modernos.
Conforme destaca Guilherme Campos, o alto custo da energia em sistemas isolados não é apenas um problema de competitividade. É uma barreira que inviabiliza categorias inteiras de investimento que seriam viáveis se o custo energético estivesse em patamar compatível com o restante do país. Frigoríficos, laticínios, beneficiadoras de grãos e unidades de processamento agroindustrial são exemplos de atividades que dependem de energia barata e confiável para operar com margem positiva, e que simplesmente não conseguem se instalar em municípios com custo energético elevado e fornecimento instável.
A chegada do sistema interligado e seus efeitos imediatos
A integração de um município ao Sistema Interligado Nacional representa uma mudança imediata e significativa nas condições de operação de negócios e serviços locais. A queda no custo da energia, a melhora na estabilidade do fornecimento e a eliminação da dependência de geradores a diesel criam condições para que investimentos antes inviáveis se tornem possíveis quase de imediato.
Na avaliação de Guilherme Campos, o impacto mais rápido costuma ser observado no setor de serviços, especialmente em saúde e educação. Postos de saúde com energia elétrica confiável conseguem manter equipamentos de diagnóstico funcionando, refrigerar medicamentos adequadamente e oferecer atendimento noturno com segurança. Da mesma forma, escolas com energia estável podem utilizar recursos digitais de ensino e ampliar o tempo de funcionamento. Esses ganhos imediatos em qualidade de vida criam condições mais favoráveis para a atração de profissionais qualificados que antes resistiam a se instalar em municípios com infraestrutura precária.

O impacto sobre o agronegócio e a produção rural
Para o setor agropecuário, a disponibilidade de energia elétrica confiável e a custo acessível abre possibilidades que vão muito além da iluminação das instalações rurais. Sistemas de irrigação elétrica, equipamentos de ordenha mecanizada, resfriadores de leite, câmaras frias para armazenamento de produtos e sistemas automatizados de manejo são tecnologias que dependem de energia elétrica estável para funcionar com eficiência e que transformam a produtividade e a qualidade dos produtos gerados em uma propriedade rural.
De acordo com Guilherme Campos, produtores rurais de municípios que receberam integração ao sistema elétrico nacional relatam ganhos expressivos de produtividade nos anos seguintes à chegada da energia. A possibilidade de instalar resfriadores de leite, por exemplo, permite ao produtor acessar programas de pagamento por qualidade que aumentam significativamente a receita por litro produzido. Esse tipo de ganho, multiplicado por centenas de produtores em um município, transforma a base econômica local de forma estrutural e duradoura.
Energia elétrica e atração de investimentos privados
A infraestrutura elétrica confiável é um dos critérios mais básicos avaliados por empresas que consideram instalar operações em municípios do interior do Norte do Brasil. Sem esse requisito atendido, a análise de viabilidade de qualquer investimento produtivo de médio porte simplesmente não avança. Com ele resolvido, outros fatores como disponibilidade de mão de obra, acesso logístico e incentivos fiscais passam a ser determinantes na decisão de localização.
Guilherme Campos frisa que a expansão da infraestrutura elétrica em municípios remotos do Norte não é apenas uma política social de inclusão. É uma política de desenvolvimento econômico com retorno mensurável na geração de empregos, aumento da arrecadação municipal e melhora nos indicadores de qualidade de vida da população. Nesse contexto, investidores que identificam municípios em processo de integração ao sistema elétrico nacional têm uma janela de oportunidade relevante para posicionar seus recursos antes que o desenvolvimento gerado por essa infraestrutura se reflita nos preços dos ativos locais.
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