A indústria gráfica costuma associar inovação à chegada de equipamentos mais rápidos, precisos e capazes de produzir materiais com novos acabamentos. Entretanto, Dalmi Defanti, fundador da Gráfica Print e especialista em assuntos gráficos, traz à discussão uma transformação que pode acontecer antes mesmo de uma máquina começar a funcionar. Softwares de gestão, integração de sistemas, inteligência artificial e automação de processos estão ampliando as possibilidades de modernização do setor.
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Por que máquinas modernas não garantem produtividade?
A velocidade de impressão representa apenas uma parte do tempo necessário para concluir um pedido. Antes de chegar ao equipamento, o trabalho precisa passar por orçamento, aprovação comercial, recebimento de arquivos, conferência técnica e programação da produção. Quando essas atividades apresentam falhas, a capacidade disponível das máquinas pode permanecer subutilizada, comprometendo o cumprimento dos prazos e a eficiência geral da operação.
Imagine uma gráfica que possui equipamentos capazes de atender rapidamente a determinada encomenda, mas recebe arquivos incompletos ou informações divergentes sobre acabamento e quantidade. Mesmo com tecnologia avançada, a produção pode precisar aguardar esclarecimentos, novas aprovações ou correções. O problema, nesse caso, não está na velocidade da impressão, mas na organização das etapas anteriores, que podem provocar interrupções e comprometer o planejamento dos demais pedidos.
Na perspectiva de Dalmi Defanti Cuiabá, essa diferença ajuda a compreender por que a modernização precisa considerar o funcionamento completo da operação. Investir em equipamentos continua sendo importante, mas identificar gargalos administrativos e técnicos também pode gerar ganhos relevantes. A produtividade depende da continuidade do fluxo, e não apenas do desempenho isolado de uma máquina, exigindo integração entre os setores e maior controle sobre cada etapa produtiva.
Como a integração de sistemas pode transformar uma gráfica?
Em muitas operações, informações comerciais e produtivas são registradas em ferramentas diferentes. O atendimento recebe as especificações, o orçamento calcula os custos e a produção organiza as atividades conforme os pedidos aprovados. Quando esses sistemas não se comunicam, os mesmos dados podem precisar ser inseridos manualmente diversas vezes, aumentando o risco de divergências e dificultando a atualização das informações ao longo do processo produtivo.

Segundo Dalmi Defanti, a integração permite que informações sobre materiais, quantidades, formatos, prazos e acabamentos acompanhem o pedido durante suas diferentes etapas. Sistemas de gestão empresarial e de produção podem conectar setores e facilitar o acompanhamento das encomendas. Dessa maneira, alterações autorizadas ficam mais acessíveis aos profissionais envolvidos, reduzindo a dependência de mensagens dispersas e proporcionando maior agilidade na comunicação entre as equipes responsáveis pela execução dos trabalhos.
A inteligência artificial pode melhorar decisões produtivas?
A inteligência artificial pode contribuir para analisar informações relacionadas ao histórico de pedidos, consumo de materiais, duração das atividades e utilização dos equipamentos. Dependendo da qualidade dos dados disponíveis, essas ferramentas podem auxiliar na identificação de padrões e na elaboração de estimativas que apoiem o planejamento produtivo, permitindo antecipar necessidades operacionais e identificar oportunidades de melhoria nos processos.
Para Dalmi Defanti, a discussão sobre inovação gráfica também envolve compreender onde a tecnologia pode oferecer benefícios concretos. Uma aplicação possível está na organização das filas de produção, considerando características dos trabalhos, disponibilidade de recursos e prazos estabelecidos. O objetivo não é substituir automaticamente as decisões humanas, mas fornecer informações que facilitem escolhas operacionais e contribuam para uma distribuição mais eficiente das atividades.
Entretanto, resultados confiáveis dependem de registros consistentes. Se os dados sobre tempos de preparação, desperdícios e capacidade produtiva estiverem incompletos, as recomendações podem apresentar limitações importantes. Por isso, antes de incorporar soluções inteligentes, as empresas precisam avaliar como coletam, organizam e atualizam suas informações, estabelecendo procedimentos que garantam maior precisão e confiabilidade aos dados utilizados.

