A Prefeitura do Recife iniciou, em 10 de setembro de 2026, a experimentação do projeto “Mova-se pelo Futuro”, uma tecnologia de mobilidade no Recife integrada ao aplicativo Conecta Recife. A proposta é registrar deslocamentos realizados a pé, de bicicleta convencional ou de bicicleta elétrica com assistência de pedal e, após a validação do trajeto, oferecer recompensas aos participantes.
Os usuários que cumprirem os critérios definidos poderão receber Créditos H3RO. Esses créditos podem ser trocados por descontos, vantagens e outros benefícios disponibilizados na plataforma. A iniciativa ainda está em fase de teste e terá duração prevista de 12 meses, período em que serão avaliados tanto o funcionamento da solução quanto a adesão da população.
Como funciona o registro dos deslocamentos
O sistema utiliza o GPS do celular para acompanhar e validar os percursos. Para serem considerados, os deslocamentos precisam estar relacionados à mobilidade cotidiana, como trajetos entre casa e trabalho, escola, estabelecimentos comerciais ou serviços públicos. A lógica do projeto é incentivar alternativas ao transporte motorizado em deslocamentos que fazem parte da rotina dos moradores.
Caminhadas e pedaladas feitas exclusivamente para lazer, prática esportiva ou treinamento não geram créditos, segundo as informações divulgadas sobre a experimentação. A distinção busca separar os deslocamentos com finalidade de transporte daqueles realizados como atividade física ou recreativa.
O funcionamento do projeto também depende da validação dos trajetos e de mecanismos capazes de identificar irregularidades. Por isso, a experimentação prevê testes relacionados à segurança do sistema e à prevenção de fraudes. A intenção é verificar se a tecnologia consegue reconhecer deslocamentos elegíveis de maneira confiável antes de qualquer avaliação sobre uma eventual ampliação do modelo.
Projeto reúne órgãos públicos e empresa de tecnologia
De acordo com a Prefeitura do Recife, o “Mova-se pelo Futuro” é testado pelo Conecta Labs, ambiente de experimentação digital ligado ao programa municipal EITA Labs. A ação conta com a participação da Emprel, da Secretaria de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia e da empresa Bion Global Biocredits Ltda.
O Conecta Labs é utilizado para experimentar soluções desenvolvidas por terceiros em conexão com serviços e necessidades da cidade. Nesse formato, o projeto não é apresentado como uma política pública consolidada, mas como uma iniciativa em avaliação. Os resultados dos testes deverão indicar se a solução é funcional, se há participação suficiente dos moradores e quais ajustes podem ser necessários.
A descrição publicada pelo EITA Labs informa que a experimentação também pretende produzir dados agregados sobre os deslocamentos. Essas informações não têm como objetivo apenas contabilizar caminhadas e pedaladas: elas podem ajudar o município a compreender padrões de mobilidade ativa em diferentes áreas do Recife.
Dados podem apoiar decisões sobre infraestrutura
Entre os recursos previstos está uma calculadora climática, associada à estimativa dos efeitos ambientais dos deslocamentos registrados. A solução também poderá reunir informações agregadas para subsidiar decisões relacionadas a calçadas, ciclovias, iluminação e arborização. O objetivo é transformar os dados coletados em elementos de apoio ao planejamento urbano.
Essa possibilidade é uma das principais dimensões da iniciativa. Além de oferecer uma recompensa individual aos participantes, o projeto busca testar se os registros digitais podem contribuir para políticas públicas de mobilidade ativa e sustentabilidade. Ainda assim, qualquer impacto efetivo dependerá dos resultados obtidos ao longo dos 12 meses de experimentação.
O serviço apresentado pelo Conecta Recife está relacionado ao registro de trajetos e ao acúmulo de recompensas. Já as informações sobre o ambiente de testes e as soluções de terceiros podem ser consultadas na área do Conecta Labs. Esses canais oficiais ajudam a esclarecer a forma como a iniciativa foi estruturada e o papel do aplicativo no acompanhamento dos percursos.
O que será observado durante o teste
A experimentação deverá medir a adesão dos moradores, a capacidade de validar os deslocamentos e a eficiência dos mecanismos antifraude. Também será analisado se o modelo de recompensas consegue estimular o uso de meios de transporte ativos em trajetos cotidianos, sem confundir deslocamentos de mobilidade com atividades realizadas apenas por lazer ou treinamento.
Por estar em fase experimental, o “Mova-se pelo Futuro” ainda não permite afirmar que haverá expansão definitiva ou que os créditos provocarão mudanças permanentes nos hábitos de deslocamento. O principal resultado esperado neste momento é a produção de evidências sobre a viabilidade técnica e sobre a utilidade dos dados para o planejamento urbano do Recife.
Assim, a tecnologia de mobilidade no Recife funciona como uma tentativa de aproximar incentivo individual, inovação digital e gestão pública. A avaliação dos próximos meses deverá mostrar se o registro de caminhadas e pedaladas pode se tornar uma ferramenta útil para estimular a mobilidade ativa e orientar melhorias na infraestrutura da cidade.

